domingo, 28 de junho de 2009

Joe Cocker - With A Little Help From My Friends


Essa música é para aqueles que viveram ou sonharam viver nos encantadores anos 1960.

http://www.youtube.com/watch?v=_wG6Cgmgn5U



Amor X Sexo




Estou pensando sobre essa mania das pessoas de ‘ficarem’ umas com as outras sem nenhum compromisso. Aqueles relacionamentos moderninhos. Acho que isso surgiu no começo dos anos 1990, primeiro entre os adolescentes, e, hoje, já está disseminado entre as pessoas, de uma forma geral, principalmente os jovens.


Antes se pensava que dar uns beijos, mesmo que mal se conhecesse a pessoa, não teria problema algum. Afinal, que mal teria beijar alguém? Beijar e tão gostoso. Se deu vontade, beija e pronto. Se os dois gostarem do beijo pode haver repetição. Se os dois não tiverem interesse, ficará só naquela vez mesmo e fim.


Eu demorei para me adaptar a essa nova realidade dos relacionamentos. Durante muito tempo achei idiota ficar. Chegou uma hora que passei a encarar isso com naturalidade. Continuo acreditando no amor e prefiro mil vezes namorar alguém. Mas, se numa festa surge a oportunidade de eu apenas ficar – não me furto desse desejo.


Atualmente entro nos shoppings e me assusto com a baixa idade dos casais. Uns devem ter 11 ou 12 anos no máximo. Eles se abraçam e se beijam de tal forma que deixam pessoas mais velhas totalmente constrangidas. Essa sexualidade precoce e que também é chamada, por alguns, como ‘amor precoce’, me preocupa, embora eu não queira ser puritano. Creio que cada um sabe sobre seu coração e sobre seus desejos.


Agora, se namorar está fora de moda e se na própria TV o casamento já é mostrado como um conto de fadas que normalmente ocorre somente no último capítulo da novela, como deve ficar o amor e o sexo na cabeça das novas gerações de agora em diante? O amor e o sexo virarão contrapontos e se desligarão os significados de uma palavra para a outra, para sempre, ou estamos vivendo apenas uma fase?

domingo, 21 de junho de 2009

Distante demais




Eu, sentado, esperando um sorriso de brincar
Eu, sentado, cheirando agosto perfumar meu norte
Eu, sentado, olhando pela curva perdida ao sol

Distante demais

Eu, sentado, fazendo bugigangas de argila
Eu, sentado, escrevendo na terra minha idade
Eu, sentado, dizendo baixinho nome de mulher

Distante demais

Eu, sentado, ouvindo no vento canção de ninar
Eu, sentado, traçando torto um caminho reto
Eu, sentado, mastigando gengibre torrado

Distante demais

Eu, sentado, aliança apertada no dedo
Eu, sentado, corda amarrada no pescoço
Eu, sentado, cabeça pesada na bandeja

Distante demais

Eu, sentado, loucura saindo da razão
Eu, sentado, dor em gotas caindo da alma
Eu, sentado, sorte dormindo muito longe


domingo, 14 de junho de 2009

My Way - Frank Sinatra


Essa música tem um brilho - um cheiro de vida e morte - que me consome e que me renasce. Na voz de Sinatra ficou imortalizada e nos meus pensamentos sempre a relembro como combustível para que eu (essa máquina chamada HOMEM) sempre seja eu mesmo, com a alegria e a tristeza que isso representa - mas com o orgulho que isso me traz.


http://www.youtube.com/watch?v=-vNFbSVlS2I



sábado, 13 de junho de 2009

Amor de domingo (III)




Tivemos que ir em carros separados para o restaurante japonês. O bairro era distante do Parque do Ibirapuera e depois não compensaria, para mim ou para ela, ter que buscar o carro no parque. Então, parávamos os carros nos faróis, sempre lado a lado, falávamos pelo vidro, ouvíamos o que o outro estava escutando no som do carro, dávamos risadas, e assim fomos durante todo o trajeto.

- Até que foi rápido.
- Verdade, Dani. Não havia trânsito.

Entramos no restaurante e começamos, novamente, a falar sem parar. A Daniela parecia uma mulher saída de um dos meus sonhos de mulher ideal para estar ao meu lado. Tudo nela me encantava. Na verdade, aquele momento parecia um sonho e daqueles sonhos muito bons que a gente se frustra quando acorda. Por isso que eu pensava que se estivesse sonhando queria jamais acordar.

- Nossa, o sushi daqui é muito bom!
- Também acho, Dani. E o ambiente também é legal. Sou um freguês assíduo do lugar.
- Você vai pedir sobremesa?
- Não quero, mas eu chamo o garçom e ele nos traz o cardápio e você escolhe uma.
- Não, eu também não quero. Pensei em a gente ir embora – só por isso que perguntei se você ia querer sobremesa.
- Ah, você quer ir embora?
- Quero.
- Tudo bem. Pedirei a conta.

Aquilo me soou aos ouvidos como um balde de água fria na cara. Não, no rosto não. Na cara mesmo! Fiquei preocupado com a repentina vontade dela em ir embora. Pensei se havia falado algo ruim que a tivesse incomodado. Mas, antes que minhocas brotassem da minha cabeça como brotam da terra, a Daniela me surpreendeu mais uma vez.

- Eu só estou com pressa para que peguemos um cinema. Se você estiver a fim, é claro.

Eu não acreditei. Ela perguntava se eu estaria a fim. Será que ela não percebia que eu iria com ela até para o infinito?! Então, fiz um charme.

- Ir para o cinema com você?! Deixa-me pensar...! Sim, mas é claro que vou! Vou adorar!

E caímos os dois na risada. Minutos depois saímos do restaurante e fomos assistir ao filme Che, uma espécie de documentário sobre a revolução cubana, tendo como protagonista o ator Benicio Del Toro como Che Guevara. O filme foi muito bom e a companhia foi maravilhosa.

- Gostou do filme, Dani?
- Amei!
- Eu também.

Perto do cinema ainda tomamos um chocolate quente, cada um, e demos risadas relembrando as formigas do parque e a forma que nos conhecemos. Na hora de nos despedirmos – já com os respectivos telefones e e-mails trocados – tive muita vontade de beijá-la na boca, mas não tive coragem. Me arrependo até hoje por essa falta de coragem. Nunca mais vi a Daniela. Ela me disse, por telefone, dias atrás, que resolveu dar uma chance para um rapaz que conheceu no Rio de Janeiro e que, agora, está namorando. Portanto, o amor foi só meu e se restringiu a apenas um domingo. Nada mais que um domingo.

domingo, 7 de junho de 2009

Como nossos pais - BELCHIOR ao vivo

Belchior é um dos grandes compositores da MPB. Um gênio com a inteligência e a emoção de suas letras. Por isso, quero deixar aqui um espaço para ele em meu blog. Como Nossos Pais, ao vivo:

http://www.youtube.com/watch?v=s6eXcFUbDy8




Amor de domingo (II)




- Você vem sempre ao parque aos domingos, Dani? Posso chamá-la de Dani?
- Desde que você não me peça para eu chamá-lo de Fá, pode.
- Não pedirei.
- Mas eu chamarei você de Fá. Eu quero. E se você não gostar, vamos sair na porrada agora mesmo!
- Nossa, meu Deus! Para que tanta violência?! Não seria para tanto.
- Ah, que bom que você tem medo de mim. Eu adoro causar essa sensação nos homens.
- Você é sempre bem humorada assim?!
- Sempre não. Só nos domingos gelados de inverno às sete horas da manhã!

A conversa foi ficando cada vez mais alegre e depois de uma meia hora parecia que já nos conhecíamos fazia muito tempo. Descobrimos ter a mesma profissão: jornalista. Descobrimos ter o mesmo signo: sagitário. Descobrimos adorarmos cinema. E fomos, ao longo do passeio, descobrindo semelhanças entre nós que só nos fazia pensar como podia não termos nos conhecido antes.

- Meu ex-marido dizia que eu sou muito tagarela. Você me acha tagarela?
- Olha, para ser sincero, eu pensei em te falar isso várias vezes, mas você não me dava tempo de falar nada...!
- Bobo, idiota...!
- Ah, e, além de tagarela, é grosseira também!

Fazia tempo que eu não conhecia uma pessoa tão agradável como a Daniela, e também inteligente e culta. Eu estava surpreso e feliz e dava risada de tudo, assim como ela também parecia se divertir bastante e se interessar por todas minhas opiniões e brincadeiras.

- Quer dizer que você já foi casada?
- Sim, por seis anos. Me separei vai fazer um ano.
- Nossa! Mas você casou com 11 ou 12 anos, então?
- Obrigada pelo elogio disfarçado, mas eu já não sou tão menininha assim. Só por que sou baixinha e tinjo os cabelos para não aparecerem os fios brancos ainda tem gente que pensa que estou na adolescência, mas essa minha fase já passou faz tempo. E você, já foi casado?
- Não, ainda não. Mas pretendo casar e ter filhos. Só ainda não achei a pessoa certa.
- Uma hora essa pessoa aparece. Normalmente é quando a gente menos espera.
- Dizem que sim.

Parecia inacreditável, mas já passava das 11h30. Já havíamos andado o parque inteiro. E o assunto entre nós dois continuava rendendo.

- O que você vai fazer agora à tarde?
- Não sei ainda. Talvez vá ao cinema. Talvez fique em casa arrumando um pouco a bagunça. E você, vai fazer o quê?
- Bem, talvez eu vá ao cinema. Se não for, devo assistir algum filme em DVD, em casa mesmo.
- Sei.
- Você gosta de comida japonesa?
- Amo!
- Sério?!
- Sério!
- Quer almoçar comigo? Conheço um restaurante japonês ótimo e super tranqüilo no bairro da Lapa.
- Ah, não sei. Ainda está cedo para almoçar.
- Verdade, mas até chegarmos lá. Podemos tomar alguma coisa antes do almoço. Sem contar que eu não tomei café e já estou com fome! Você tomou?
- Também não! E já está dando fome sim.
- Então, vamos lá?!
- Está bem. Vamos!

(Continua na próxima semana)