
domingo, 26 de julho de 2009
Cuba, me espere...!

Minha vontade era de ir para Cuba no final do ano. Passar o Réveillon por lá. Mas, ao mesmo tempo, tenho outras prioridades com meu dinheiro. Fico chateado porque gostaria muito de conhecer Cuba antes de Fidel Castro morrer. Creio que, assim que o ditador cubano fechar os olhos, a ilha será bem diferente do que é hoje. Portanto, gostaria de conhecê-la assim – antiga, decadente, parada no tempo – uma ilha do mundo.
Mas, dizem que tudo na vida tem seu tempo. Nunca fui ansioso e sei respeitar as particularidades do tempo. Enquanto esse meu tempo não chega vou estudando espanhol: hablando palabras con sonido y construindo mis sueños. Será que escrevi corretamente em espanhol...?! Na verdade, me considero um latino-americano e não apenas um brasileiro – não que me fosse demérito sê-lo tão somente.
As músicas que escuto, os filmes que vejo, os livros que leio e tudo que relato sobre mim e meu mundo, com palavras abstratas escritas em páginas brancas de um computador, dizem um pouco do que sou e do que sonho. Cuba talvez seja meu futuro. Não sei. O próprio futuro dirá. Só peço a ele um favor, se possível: Cuba, me espere...!
domingo, 19 de julho de 2009
Rachel Yamagata - Ode To...
Entrevistar é uma arte?

Se entrevistar é uma arte, não sei...! Mas, já conheci entrevistadores e entrevistadores – se me entende, caro leitor amigo. A faceta mais fácil e rápida de um entrevistador é ser condescendente com o que o entrevistado fala. Apresentadores de auditório fazem muito isso. Eles perguntam o que o entrevistado quer responder. E concordam com o que o entrevistado responde. E admiram sua resposta. E elogiam. E sorriem. E só faltam bater palmas. Às vezes, nem isso eles faltam fazer.
Há quem diga que esta é uma postura errada de quem entrevista. Eu não apoio e nem condeno quem entrevista assim. Acredito que cada entrevistador deva ter seus objetivos. Se seus métodos levam a eles, então a entrevista foi boa. Se os resultados de seus métodos não agradam o próprio entrevistador, então a entrevista foi ruim. Assim, de uma forma simplista. Este é meu raciocínio prático quanto à qualidade de uma entrevista.
Minha primeira entrevista foi ainda na faculdade, quando fui até a casa de um músico chamado Nenê. Ele foi o baixista de uma banda brasileira que fez muito sucesso nos anos 1960/70, chamada Os Incríveis. A banda estourou nacionalmente a partir do movimento musical Jovem Guarda. Aliás, minha entrevista era sobre a Jovem Guarda. Eu não me portei mal, embora ache que faria um pouco diferente se a entrevista fosse hoje. Faria diferente sim...!
Lembro agora de outra entrevista que fiz e achei determinante para formar meu estilo de entrevistar. Fui, ainda cursando a faculdade, à TV Bandeirantes entrevistar o diretor de TV, Wilton Franco, na época diretor de um programa chamado Brasil Verdade. Em determinado momento ele colocou em dúvida o significado de uma palavra que usei durante a entrevista e se aborreceu comigo ou, pelo menos, com a forma que me expressei em relação ao programa que ele dirigia. Chamei-o de popularesco.
Outra entrevista marcante, nesse começo de carreira, foi com o diretor de cinema Anselmo Duarte, que até hoje detém o maior prêmio já ganho pelo cinema brasileiro, a Palma de Ouro em Cannes, em 1962, com o filme O Pagador de Promessas. Lembro-me que ao final da entrevista, feita em seu apartamento na cidade de Salto, interior de São Paulo, ele convidou a mim e a um amigo, que se passava como meu fotógrafo na ocasião, para comermos um macarrão com ele, visto que já era hora da janta. Recusamos, mas este convite também me ficou na memória.
Por último, ainda recordando do tempo que eu entrevistava tendo como veículo o próprio jornal da faculdade, lembro do executivo de TV, Ivan Isola. Este ficou tão nervoso com uma colocação que fiz durante a entrevista que chegou a esmurrar a mesa. Eu, incrédulo com aquela atitude, lhe pedi calma e o adverti sobre o perigo daquele nervosismo para o seu coração. Até hoje não sei o que meu entrevistado achou de tal comentário, mas o fato foi que ele acalmou-se.
Ao longo da carreira, entrevistei políticos, médicos, artistas, economistas, esportistas, empresários, comerciantes e uma infinidade de gente com maior ou menor notoriedade. Minha maior estratégia sempre foi deixar o entrevistado tranquilo. Eu sempre deixei claro que estou ali para conversar com ele. Porque sempre foi isso que fui bom em fazer: contar e ouvir histórias. Talvez este seja meu maior Dom. Eu converso com o entrevistado, converso, converso e converso. Ao final, ele foi entrevistado.
Só tem um detalhe que não abro mão na conversa que tenho com meu entrevistado. Ele fala muito mais que eu – afinal ele é o entrevistado. Mas o domínio da situação eu não abro mão. Eu o levo para onde eu quero na entrevista. Eu vou e volto nos assuntos quantas vezes achar necessário, não tenho pressa, tenho objetivos. Eu não sou inimigo do entrevistado. Enquanto estou na sua frente sou o melhor amigo dele de todos os tempos. Eu quero que ele confie em mim e me dê uma boa entrevista, somente isso. Eu o ajudo a me ajudar. E jamais subestimo sua inteligência – jamais superestimo também. Afinal, estamos apenas conversando.
Ontem assisti ao filme “O Desafio – Frost contra Nixon”. O filme é sobre a entrevista de um apresentador de TV, sem cacoete jornalístico, David Frost, com o presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, depois de deixar a presidência por causa do escândalo político Watergate, em 1972. É uma entrevista exclusiva e sem precedentes de importância feita por alguém que não estava preparado para fazê-la, mas que se prepara durante a própria entrevista – visto que ela foi gravada em diferentes datas. Ao assistir este filme me atentei para algo que já percebi no tempo da faculdade, mas pouco falo a respeito: eu amo entrevistar e penso que entrevistar é, sim, uma arte.
domingo, 12 de julho de 2009
São Paulo 2x2 Flamengo
Acabo de voltar do estádio do Morumbi. Fui assistir ao jogo do São Paulo com o Flamengo. Nossa, fazia uns 12 anos que eu não ia a um estádio. Meu tricolor empatou em 2x2. O problema é que jogou muito mal, principalmente no primeiro tempo. Deu raiva. Mas foi gostoso ir a um estádio depois de tanto tempo. Foi muito bom!
Obs: a foto, obviamente, não é do estádio e sim de São Thomé das Letras, onde fui quinta-feira.
domingo, 5 de julho de 2009
O mundo é um moinho...!

http://www.youtube.com/watch?v=acLkgRX28D8
Essa música é muito linda e esse momento da vida de Cartola é triste demais. Me lembra um blues...!
Amigos, até outro dia

Não quero cair no lugar comum. Não quero escrever frases já feitas. Não quero repetir calendários antigos. Querer eu não quero, mas algo tem de ser feito. Olho para meus dedos com suas pontas vermelhas e inchadas. Olho para os meus sonhos cansados e sonolentos. Olho para os meus amores já velhos e distantes. E sabem de uma coisa? Olhar eu nem queria, mas algo tem de ser feito.
Ontem à tarde, colhi umas flores aqui no jardim de casa e me sujei todo de terra. Hoje eu olhei para o céu e vi uma cor que eu não deveria ver. Amanhã quero jogar futebol de botão como antigamente e comer uma paçoca depois do almoço. E vocês nem sabem. Eu nem gosto de contar os dias, mas algo tem de ser feito.
Minha namorada está grávida, mas o filho não é meu. Minha namorada vai casar, mas não é comigo. Minha namorada mudou-se para Paris e eu nunca fui passear na Europa. É tudo tão recente em meu passado. É tudo tão velho eu meu presente. Estou pensando em escrever um livro sobre tudo isso. Eu nem me considero escritor, mas algo tem de ser feito.
Quando eu levanto da cama me sinto surpreso por ainda estar vivo. Quando eu ando pelas estradas vejo um cadillac vermelho me seguindo. Quando eu me olho no espelho vejo um ator canastrão diante de mim. E minha dor é um palco. E minha vida é um palco. E meu mundo é um palco. Vou lhes dizer, embora não acreditem, eu não sou um ator, mas algo tem de ser feito.
Todos os quadros e diplomas pendurados nas paredes do escritório estão tortos. Todas as ruas e avenidas em que caminho estão, precisamente, tortas. Todas as minhas ideias, meus planos, e meus nós de gravata, que me enforcam pelas manhãs de verão, estão tortos. E eu não sou rebelde com causa ou sem, mas algo tem de ser feito.
Fui beber água no rio e ele secou. Fui arrancar os espinhos da rosa e eles furaram meu coração. Fui construir um lugar seguro na areia da praia e me perdi no vento. Eu não sou Edgar Allan Poe! Eu não sou Maria, a louca! Eu não sou Robert Alexander Schumann! E se eu soubesse quem sou talvez não estivesse aqui bêbado de ilusão e incertezas, mas algo tem de ser feito.
Semana que vem estou indo embora. Mês que vem vou embora de novo. Ano que vem vou embora outra vez. Não, não perguntem de mim. As minhas cartas guardadas na gaveta contarão notícias. As minhas canetas largadas pela casa contarão notícias. As folhas de papel amassadas no cesto do lixo contarão notícias. Eu nem deveria dizer nada. Eu nem deveria falar sozinho. Eu nem deveria adoçar minhas lágrimas, mas algo tem de ser feito.
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