domingo, 4 de outubro de 2009

Pés cansados


Começou a primavera e meus pés estão cansados. Talvez seja o fim de 2009 se aproximando e o esmorecer natural de alguém que caminhou por uma estrada de terra batida e pedras encravadas no caminho, durante todo o ano. Pedras pequenas que em nenhum momento impediram meu prosseguir, ainda bem. Mas pedras são pedras.

Ir a guerra é sempre complicado. Ir a guerra descalço e desarmado é muito pior. Então, na guerra de 2009, o artista na sempre difícil tarefa de manter-se vivo, não teve medo da morte esse ano. Mas ele tomou precauções, porque, como diziam as nossas avós, cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém.


Agora, olhando o colorido das flores e as crianças brincando sob o sol nos parques da cidade, meus pés doloridos marcam o compasso da vida e me fazem sentir amor, apesar da dor, pelo dezembro que espero. É o mesmo dezembro de Natal e Aniversário de pouco mais de três décadas. É o mesmo, mas é diferente. E o soldado está aqui, firme e forte, pés doloridos, mas o olhar ainda cheio de sonhos.

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