segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Gita





Bhagavad Gita é um livro escrito 3 mil anos antes de Cristo e é considerado a bíblia do povo indiano. Um poema épico que foi, até certo ponto, popularizado no Brasil por Raul Seixas, através da música Gita. Por acreditar em dias melhores para o mundo e seu povo e por considerar Raul Seixas um dos nomes mais originais que a música brasileira já produziu - deixo aqui Raul falar...!


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Escrevo, logo existo




José andava pisando devagar nas pedras lodosas daquela mata fechada que circundava o Rio dos Inocentes. Ele havia conhecido o rio por intermédio de uma ex-namorada, cinco anos atrás. Gostou do lugar e, mesmo tendo terminado o namoro, virou um frequentador assíduo daquele pedaço de mundo. Com o tempo, ali virou seu refúgio em momentos difíceis da vida. E aquele era um desses momentos. Fazia pouco mais de 24 horas que ele havia enterrado sua mãe.


Quando tinha 11 anos de idade, José leu um livro chamado O rato não quer morrer. Gostou muito do livro, porque embora fosse literatura juvenil (José gostava de ler livros de adultos) aquele livro questionava vida e morte – assuntos metafísicos e filosóficos de grande importância, em sua humilde opinião de menino. José gostava disso. Ele gostava de tentar entender o que algumas pessoas desistiam com o passar do tempo.


Agora ele estava ali. Era somente José, o rio, a mata e as lembranças de sua mãe. Para alguns, aquilo era pouco. Para outros, aquilo era muito. Para José, aquilo era tudo. O rapaz, com 27 anos e um diploma de psicologia guardado na gaveta, trabalhava de sol a sol, como carpinteiro, para ter uma vida digna para ele e sua mãe. Havia morado e trabalhado dois anos de forma clandestina nos EUA, onde arrumou dinheiro para abrir uma pequena carpintaria, em São Bernardo do Campo, ABC paulista.


Foi com essa carpintaria que José e sua mãe passaram a viver de forma um pouco mais confortável – depois de muito sofrimento da mãe, como doméstica, e dele próprio, como bancário, pagando faculdade, e vivendo precariamente na difícil tarefa de ganhar o sustento num país de desigualdade social extrema como sempre foi o Brasil. José, ainda jovem, achava estar no caminho certo. Sua mãe lhe apoiava incondicionalmente, mas um enfarto fulminante deixou José sozinho com seus sonhos.


Então, José olhou para cima – mirando admirado aquela árvore centenária que tantas vezes lhe serviu de abrigo na hora do choro. O coração apertado. A garganta com gosto de sal. Aquela gigante de raízes múltiplas e de tronco robusto superara a barreira dos 100 anos, mas Maria, sua querida mãe, ela não. Maria falecera aos 49 anos e nunca mais ele teria seu colo como abrigo e proteção. E nunca mais era muito tempo. Homem crescido, encostado na árvore, procurando vida, José só encontrou forças para dizer: obrigado, mãe!


Fábio olhou para a tela do computador e viu mais uma página escrita do início de seu quinto romance. Brincou consigo em voz alta: alguém tem que escrever nesse país! Levantou-se da cadeira e foi se aprontar para ir à casa de seus pais. Era domingo e sua mãe lhe prometera aquela macarronada com frango que ele tanta gosta. Pensou que um pudim de leite condensado, como sobremesa, também cairia muito bem. Pensou, por fim, que a vida é gostosa de ser vivida, apesar das agruras.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Viajando e sendo feliz




Fiquei uma semana em Montevideo. Passei meu Réveillon lá. E gostei, mais uma vez, de ter saído do Brasil na virada do ano. Eu me ausento, nessa época, para voltar mais disposto e, ao mesmo tempo, gostando mais do meu País. Não que ele seja o melhor, muito longe disso, mas ele tem minhas raízes, ele tem meu DNA.


Lá no Uruguai o lugar que eu queria mais conhecer era Colonia Del Sacramento, uma pequena cidade, do século XVII, colonizada por portugueses e que ainda guarda suas construções coloniais com carinho. Tudo bem pertinho do mar. Um lugar lindo. Mas quis Deus e, ou o destino que nesse dia eu não estivesse bem. No dia anterior havia perdido carteira com dinheiro, documentos e cartão de crédito.


Mas curti ter andado pelas ruas estreitas de Colonia. E não é que no dia seguinte encontrei minha carteira lá em Punta del Leste...?! E estava com tudo dentro – não faltava sequer um real, um peso ou um dólar. A vida é engraçada! A viagem toda foi muito boa. No final do ano quero ir para Cuba. Sim, o Fidel não pode morrer até lá. Aguenta firme, Fidel! Ele é forte! E nem eu posso deixar a Terra, né?! Ainda é cedo – quero viajar muito por aqui ainda.