domingo, 3 de maio de 2009

Linhas tortas



Escrever um livro foi ideia que tive, pela primeira vez, em 1997. Na época, eu estava com 21 anos. Foi numa viagem ao litoral paulista, refletindo sobre algumas coisas que aconteciam na minha vida, naquele momento e desde sempre, que resolvi escrever um romance. A ideia inicial era falar das opções que fazemos na vida e das consequências dessas opções para nós mesmos e para as pessoas que convivem conosco.


Em primeiro lugar, resolvi colocar no papel um resumo, em poucas linhas, umas 20, do que eu queria com o livro. Eu imaginei um livro inteiro – princípio, meio e fim – em 20 linhas. Depois escrevi umas cinco páginas do livro e parei. Sim, caro leitor amigo, eu o engavetei, o esqueci por vários anos. Um dia, insatisfeito com inúmeros projetos que comecei, na minha vida, e parei quando eles nem estavam ainda na metade, resolvi voltar ao livro. Escrevi outras cinco ou dez páginas e parei.


Somente em 2005 voltei minhas atenções novamente ao livro. Revisei o que estava escrito, modifiquei tudo, acreditando estar mais madura minha forma de escrever, e depois escrevi umas 20 páginas e parei. Em 2008 voltei ao livro e escrevi mais umas 20 páginas e parei novamente. Nessa passagem de 2008 para 2009 refleti sobre tudo que fiz na minha vida até então, no lado profissional e pessoal, principalmente. Eu dei uma encarada no espelho da vida e perguntei a mim mesmo o que queria.


Depois de repensar tudo, resolvi terminar coisas inacabadas na minha vida. Decidi que me afastaria para sempre de algumas coisas, sem olhar para trás. Decidi que iria de encontro a outras coisas e terminá-las, independentemente do que isso trouxesse como consequências para a minha vida e para a vida das pessoas que estão perto de mim. O livro foi uma dessas decisões de ir até o fim.


Minha meta agora é terminar meu primeiro livro até o final de 2010. E ele estará terminado até lá. No entanto, estou aqui pensando por que adiamos tanto algumas coisas em nossas vidas. Parece que temos medo de tomar decisões. Protelamos ao máximo. Por que tanto medo? Quem nos condicionou assim? Que futuro teremos tendo medo de nós mesmos? Que “doce desespero” é esse quando desviamos os olhos do nosso próprio olhar...? Penso que minhas linhas tortas ou não precisam de um iminente fim. É chegada a hora.

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