
Tivemos que ir em carros separados para o restaurante japonês. O bairro era distante do Parque do Ibirapuera e depois não compensaria, para mim ou para ela, ter que buscar o carro no parque. Então, parávamos os carros nos faróis, sempre lado a lado, falávamos pelo vidro, ouvíamos o que o outro estava escutando no som do carro, dávamos risadas, e assim fomos durante todo o trajeto.
- Até que foi rápido.
- Verdade, Dani. Não havia trânsito.
Entramos no restaurante e começamos, novamente, a falar sem parar. A Daniela parecia uma mulher saída de um dos meus sonhos de mulher ideal para estar ao meu lado. Tudo nela me encantava. Na verdade, aquele momento parecia um sonho e daqueles sonhos muito bons que a gente se frustra quando acorda. Por isso que eu pensava que se estivesse sonhando queria jamais acordar.
- Nossa, o sushi daqui é muito bom!
- Também acho, Dani. E o ambiente também é legal. Sou um freguês assíduo do lugar.
- Você vai pedir sobremesa?
- Não quero, mas eu chamo o garçom e ele nos traz o cardápio e você escolhe uma.
- Não, eu também não quero. Pensei em a gente ir embora – só por isso que perguntei se você ia querer sobremesa.
- Ah, você quer ir embora?
- Quero.
- Tudo bem. Pedirei a conta.
Aquilo me soou aos ouvidos como um balde de água fria na cara. Não, no rosto não. Na cara mesmo! Fiquei preocupado com a repentina vontade dela em ir embora. Pensei se havia falado algo ruim que a tivesse incomodado. Mas, antes que minhocas brotassem da minha cabeça como brotam da terra, a Daniela me surpreendeu mais uma vez.
- Eu só estou com pressa para que peguemos um cinema. Se você estiver a fim, é claro.
Eu não acreditei. Ela perguntava se eu estaria a fim. Será que ela não percebia que eu iria com ela até para o infinito?! Então, fiz um charme.
- Ir para o cinema com você?! Deixa-me pensar...! Sim, mas é claro que vou! Vou adorar!
E caímos os dois na risada. Minutos depois saímos do restaurante e fomos assistir ao filme Che, uma espécie de documentário sobre a revolução cubana, tendo como protagonista o ator Benicio Del Toro como Che Guevara. O filme foi muito bom e a companhia foi maravilhosa.
- Gostou do filme, Dani?
- Amei!
- Eu também.
Perto do cinema ainda tomamos um chocolate quente, cada um, e demos risadas relembrando as formigas do parque e a forma que nos conhecemos. Na hora de nos despedirmos – já com os respectivos telefones e e-mails trocados – tive muita vontade de beijá-la na boca, mas não tive coragem. Me arrependo até hoje por essa falta de coragem. Nunca mais vi a Daniela. Ela me disse, por telefone, dias atrás, que resolveu dar uma chance para um rapaz que conheceu no Rio de Janeiro e que, agora, está namorando. Portanto, o amor foi só meu e se restringiu a apenas um domingo. Nada mais que um domingo.
A falta de atitude é um problema mesmo! Mas também "amar" logo de cara é estranho...
ResponderExcluirEra para ser um domingo comum mesmo... e com calma surgir um amor.
E quando o amor é só de uma das partes, realmente não dá certo.
Boa história... mas sem final feliz, o que realmente, nos dias de hoje, é absolutamente normal.
Seu comentário é sábio, Dani. Pena que Flávio não te escutou antes do encontro com a outra Dani. Então, Flávio quebrou a cara. Mas, vivendo e aprendendo, né?! Obrigado por ter deixado um comentário aqui. Espero que as outras pessoas que entram nesse blog sigam seu exemplo (rsrsrs). Bj.
ResponderExcluirAcredito que algumas coisas têm que ser vividas até a parte III realmente...ou não deixariam saudade e nem causariam suspiros pelo resto da vida. Nem amor nem desamor, era pra ser o que foi e o Flávio e a Dani foram pessoas de sorte por viverem esse momento.
ResponderExcluir