domingo, 29 de novembro de 2009

O mundo em análise



Os consultórios dos analistas estão com filas até a porta.


Eu corto uma maçã com faca sem ponta. Dizem que está fazendo muito calor nesse verão. O Mahabharata passa em voz alta na minha televisão. Meus óculos já não conseguem evitar que eu tenha dor de cabeça. A mulher que amei saiu de casa para fazer uma viajem e não voltou mais.


Os consultórios dos analistas estão com filas até a rua.


Eu lembro de meu carro abandonado em plena rua de Havana. Cortaram a luz no estádio no momento do gol. Faz tempo que ninguém nasce. Faz tempo que ninguém morre. Mentiras são contadas a qualquer hora. Eu tenho um tesouro guardado numa caixa pequena na dispensa de casa.


Os consultórios dos analistas estão com filas por todo o quarteirão.


Eu sei que a roupa que estou vestindo está toda amassada. Contaram para o padre um segredo do Papa. Eu vejo a chuva se aproxiamando da plantação. O meu cachorro cansou de latir e foi dormir mais cedo. Meu jardim de rosas foi invadido por formigas gigantes. Se eu contar meus dedos terei muito mais sonhos que planos nessa vida.


Os consultórios dos analistas estão com filas por toda a cidade. Os consultórios dos analistas estão com filas por todo o país. Os consultórios dos analistas estão com filas por todo o mundo.

sábado, 21 de novembro de 2009

Cidadão do mundo...



Hoje é feriado. São Paulo oscila entre o calor escaldante e a chuva tímida. Eu olho meus filmes empilhados na estante. Estou louco de vontade de assistir a um filminho. Ainda não vi nada esse fim de semana. Além disso, estou pensando em minhas férias. É bom ser cidadão do mundo. Vontade de viajar, vontade de pegar a estrada cheio de planos e sonhos. Hablar mi español por las rutas uruguaias. Comer um asado con el viento en mi cara. E aprender melhor esse espanhol para não escrever tanta besteira, né?! (rsrsrs)

domingo, 15 de novembro de 2009

Amor...


Para mim, falar de amor é também falar de tentativas, de ousadias, de alegrias, de ilusões, de tristezas - atire a primeira pedra quem nunca amou. E eu vou tentando, ora com passos curtos, ora com passos longos, porque a vida não perdoa os que param no meio do caminho.


Ontem comi comida chinesa na praça de alimentação de um shopping e enquanto saboreava o tempero asiático feito por algum nordestino local, observava os casais a sorrirem e a fazerem juras silenciosas de amor eterno.


Enquanto escrevo esse pequeno texto leio na internet que uma frente fria está chegando na região sudeste. Tem feito muito calor aqui em São Paulo e o calor é muito bom para se passar um fim de semana na praia ou em um sítio. Somente. São Paulo cheira a óleo diesel e essa frase não é minha.


Eu continuo falando de amor, embora não pareça. O amor é o oposto da solidão, mas confesso acreditar que um não vive sem o outro - embora pareça incoerência meu raciocínio. Amor é uma porta entreaberta por onde nem sempre podemos cruzar. E começou a chover lá fora. E o meu relógio mostra 8h25.


O amor e a falta dele são os dois sentimentos que mais me encantaram até hoje. É por isso que quando chegam as manhãs quentes de verão e as noites frias de inverno ainda assim eu trago comigo a esperança de a literatura me ser importante, mas não única, e de um dia outros parágrafos, vírgulas e pontos dizerem muito mais que o silêncio de um fim de semana tranquilo.

domingo, 8 de novembro de 2009

Viva ANSELMO DUARTE!

























































TRISTEZA

Atenção, atenção, atenção: desligam-se os refletores, os microfones, e faz-se um grande silêncio no set de filmagem. ANSELMO DUARTE está morto! O diretor do filme O Pagador de Promessas, ganhador da Palma de Ouro, em Cannes, em 1962. Até hoje, esse é o maior prêmio ganho pelo cinema brasileiro.

Eu conheci pessoalmente ANSELMO DUARTE. Num dia de semana, à tarde, no ano de 1998, se não estou enganado, fui à cidade de Salto, no interior de São Paulo, acompanhado de meu grande amigo, Jairo Lavia, para entrevistar e fotografar um dos maiores cineastas que o Brasil já teve. Fui tratado por ele como um filho em mais de três horas de entrevista na sala de sua casa.

Lembro que ANSELMO DUARTE naquele dia contou pra mim sua vida inteira em horas. É claro que não nos detalhes, pois sua vida foi emocianante demais para ser contada em horas. Mas ele falava sem parar. Lembro também que carregava com ele tristeza e até rancor de algumas pessoas que não o valorizavam como ele merecia, e isso incluia até mesmo alguns familiares.

Por fim, Anselmo Duarte ainda convidou a mim e ao Jairo para que jantássemos macarrão com ele. Disse que faria rapidinho no microondas. Recusamos o jantar, mas fomos embora eufóricos por termos conseguido entrevistar e ser "amigo", mesmo que apenas por algumas horas, de um dos maiores mitos da Sétima Arte brasileira em todos os tempos.

Acima estão algumas fotos do dia da entrevista. Vá com Deus, ANSELMO DUARTE! Sentiremos saudades.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Besouro

Duas horas atrás assisti ao filme BESOURO, de João Daniel Tikhomiroff. A película fala sobre um capoeirista do começo do século XX, no interior da Bahia, que não se sabe com certeza se existiu ou não, mas que virou uma lenda da capoeira. Talvez o maior capoeirista que já existiu. Talvez apenas uma boa história. Não se sabe.

Já o filme, não é bom. Mas por ser uma tentativa de um bom filme de ação no cinema nacional - que não é dado a filmes de ação nos últimos anos - é uma conquista. Trata-se de um trabalho ousado por parte do diretor. Pena que sua ousadia ficou no argumento e o desenvolvimento do longa foi conservador demais e se perdeu numa total falta de identidade.


Mas gostei. É uma pena que numa sala de 297 lugares apenas 6 estavam ocupados e que nesse País, quando um filme não tem rostos globais e toda a mídia que essa máquina sinistra de ilusões, chamada Rede Globo, constroi, esse filme está fadado a passar despercebido nas telas brasileiras. Eu me sinto feliz por ter ido ao cinema observar com mais atenção ao BESOURO. Valeu!

domingo, 1 de novembro de 2009

Alô, Alô Terezinha!




Ontem, assisti ao documentário Alô, Alô Terezinha, do Nelson Hoineff, sobre o Chacrinha. É interessante, mas quem não conheceu o Chacrinha vai continuar sem conhecer. O documentário se limita a mostrar imagens do Chacrinha em vários anos de TV. No entanto, nada, absolutamente nada, é falado sobre as origens desse apresentador de TV, nem sobre sua vida pessoal, nem sobre sua história no rádio antes de ir para a televisão.


O forte do documentário são os depoimentos das ex-chacretes, dançarinas de palco na época do programa. Aliás, são tão bons esses depoimentos que será feita uma série televisiva sobre elas. Também é interessante o encontro de alguns calouros da época. No mais, o documentário serve apenas para aflorar a saudade daqueles tempos em que Chacrinha era um dos grandes apresentadores da televisao brasileira.