domingo, 27 de dezembro de 2009

!Estoy listo!




Estou pronto. Estou de partida. Amanhã estarei longe. Uma mochila nas costas e alguns planos na cabeça. Vou caminhar pelas ruas uruguaias procurando-me pela América do Sul. Eu, um estrangeiro do meu próprio continente. Nada nas mãos, nada nos bolsos. Um viajante sonhador só precisa de estrada e de algum lugar para chegar.


Parto sorrindo de mim e do mundo. Estou aprendendo com a sola quente no asfalto. Brasileiro não, cidadão do mundo sim. Eu vejo irmãos e vejo hermanos. Eu vejo companheiros em desconhecidos. Não me dêem a mão. Eu quero abraço e um beijo. Eu quero o que a vida tem a me dar. E se olharem-me andando, verão que os meus passos estão sempre atrás de mim.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Férias




Estou de férias...!

domingo, 13 de dezembro de 2009

Meus 33 anos!



Dia 09 de dezembro completei 33 anos de vida. E as dificuldades foram muitas até chegar aqui. Havia monentos que pisando com mais força, aparentemente seguro. Havia momentos que pisando com mais cuidado, aparentemente pensando. E o medo nunca me parou, mesmo nos momentos mais difíceis. Seguir, seguir, seguir...!


Pelo caminho recolhendo os pedaços do coração que se espalharam pelas estradas. Junto comigo uma porção de sonhos flutuando alto - longe, longe, longe e aqui do lado. Mãos suadas de um talento tímido. Pensamentos mais inteligentes que ações. Visão de mundo muito maior que meu próprio mundo. Sol, chuva e esperança pelo caminho. E tantas histórias para contar e vou contando. Abro e fecho os olhos, abro e fecho os olhos, abro e fecho os olhos - meus 33 anos!

domingo, 6 de dezembro de 2009

MAHABHARATA



... Sou tudo o que você pensa, tudo o que você diz.

Tudo está em mim como pérolas num colar.

Sou o cheiro da terra e o calor do fogo.

Sou a aparição e o desaparecimento.

Sou a isca do caçador.

Sou o brilho de tudo que brilha.

Sou o tempo que envelheceu.

Todos os seres caem dentro da noite e são trazidos à luz do dia.

Já derrotei todos esses guerreiros.

Mas quem acha que pode matar e quem acha que pode ser morto, estão ambos enganados.

Nenhuma arma pode tirar sua vida.

Nenhum fogo pode queimá-la.

Nenhuma água pode inundá-la.

Nenhum vento pode secá-la.

Não tema... levante-se... porque eu o amo...!


domingo, 29 de novembro de 2009

O mundo em análise



Os consultórios dos analistas estão com filas até a porta.


Eu corto uma maçã com faca sem ponta. Dizem que está fazendo muito calor nesse verão. O Mahabharata passa em voz alta na minha televisão. Meus óculos já não conseguem evitar que eu tenha dor de cabeça. A mulher que amei saiu de casa para fazer uma viajem e não voltou mais.


Os consultórios dos analistas estão com filas até a rua.


Eu lembro de meu carro abandonado em plena rua de Havana. Cortaram a luz no estádio no momento do gol. Faz tempo que ninguém nasce. Faz tempo que ninguém morre. Mentiras são contadas a qualquer hora. Eu tenho um tesouro guardado numa caixa pequena na dispensa de casa.


Os consultórios dos analistas estão com filas por todo o quarteirão.


Eu sei que a roupa que estou vestindo está toda amassada. Contaram para o padre um segredo do Papa. Eu vejo a chuva se aproxiamando da plantação. O meu cachorro cansou de latir e foi dormir mais cedo. Meu jardim de rosas foi invadido por formigas gigantes. Se eu contar meus dedos terei muito mais sonhos que planos nessa vida.


Os consultórios dos analistas estão com filas por toda a cidade. Os consultórios dos analistas estão com filas por todo o país. Os consultórios dos analistas estão com filas por todo o mundo.

sábado, 21 de novembro de 2009

Cidadão do mundo...



Hoje é feriado. São Paulo oscila entre o calor escaldante e a chuva tímida. Eu olho meus filmes empilhados na estante. Estou louco de vontade de assistir a um filminho. Ainda não vi nada esse fim de semana. Além disso, estou pensando em minhas férias. É bom ser cidadão do mundo. Vontade de viajar, vontade de pegar a estrada cheio de planos e sonhos. Hablar mi español por las rutas uruguaias. Comer um asado con el viento en mi cara. E aprender melhor esse espanhol para não escrever tanta besteira, né?! (rsrsrs)

domingo, 15 de novembro de 2009

Amor...


Para mim, falar de amor é também falar de tentativas, de ousadias, de alegrias, de ilusões, de tristezas - atire a primeira pedra quem nunca amou. E eu vou tentando, ora com passos curtos, ora com passos longos, porque a vida não perdoa os que param no meio do caminho.


Ontem comi comida chinesa na praça de alimentação de um shopping e enquanto saboreava o tempero asiático feito por algum nordestino local, observava os casais a sorrirem e a fazerem juras silenciosas de amor eterno.


Enquanto escrevo esse pequeno texto leio na internet que uma frente fria está chegando na região sudeste. Tem feito muito calor aqui em São Paulo e o calor é muito bom para se passar um fim de semana na praia ou em um sítio. Somente. São Paulo cheira a óleo diesel e essa frase não é minha.


Eu continuo falando de amor, embora não pareça. O amor é o oposto da solidão, mas confesso acreditar que um não vive sem o outro - embora pareça incoerência meu raciocínio. Amor é uma porta entreaberta por onde nem sempre podemos cruzar. E começou a chover lá fora. E o meu relógio mostra 8h25.


O amor e a falta dele são os dois sentimentos que mais me encantaram até hoje. É por isso que quando chegam as manhãs quentes de verão e as noites frias de inverno ainda assim eu trago comigo a esperança de a literatura me ser importante, mas não única, e de um dia outros parágrafos, vírgulas e pontos dizerem muito mais que o silêncio de um fim de semana tranquilo.

domingo, 8 de novembro de 2009

Viva ANSELMO DUARTE!

























































TRISTEZA

Atenção, atenção, atenção: desligam-se os refletores, os microfones, e faz-se um grande silêncio no set de filmagem. ANSELMO DUARTE está morto! O diretor do filme O Pagador de Promessas, ganhador da Palma de Ouro, em Cannes, em 1962. Até hoje, esse é o maior prêmio ganho pelo cinema brasileiro.

Eu conheci pessoalmente ANSELMO DUARTE. Num dia de semana, à tarde, no ano de 1998, se não estou enganado, fui à cidade de Salto, no interior de São Paulo, acompanhado de meu grande amigo, Jairo Lavia, para entrevistar e fotografar um dos maiores cineastas que o Brasil já teve. Fui tratado por ele como um filho em mais de três horas de entrevista na sala de sua casa.

Lembro que ANSELMO DUARTE naquele dia contou pra mim sua vida inteira em horas. É claro que não nos detalhes, pois sua vida foi emocianante demais para ser contada em horas. Mas ele falava sem parar. Lembro também que carregava com ele tristeza e até rancor de algumas pessoas que não o valorizavam como ele merecia, e isso incluia até mesmo alguns familiares.

Por fim, Anselmo Duarte ainda convidou a mim e ao Jairo para que jantássemos macarrão com ele. Disse que faria rapidinho no microondas. Recusamos o jantar, mas fomos embora eufóricos por termos conseguido entrevistar e ser "amigo", mesmo que apenas por algumas horas, de um dos maiores mitos da Sétima Arte brasileira em todos os tempos.

Acima estão algumas fotos do dia da entrevista. Vá com Deus, ANSELMO DUARTE! Sentiremos saudades.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Besouro

Duas horas atrás assisti ao filme BESOURO, de João Daniel Tikhomiroff. A película fala sobre um capoeirista do começo do século XX, no interior da Bahia, que não se sabe com certeza se existiu ou não, mas que virou uma lenda da capoeira. Talvez o maior capoeirista que já existiu. Talvez apenas uma boa história. Não se sabe.

Já o filme, não é bom. Mas por ser uma tentativa de um bom filme de ação no cinema nacional - que não é dado a filmes de ação nos últimos anos - é uma conquista. Trata-se de um trabalho ousado por parte do diretor. Pena que sua ousadia ficou no argumento e o desenvolvimento do longa foi conservador demais e se perdeu numa total falta de identidade.


Mas gostei. É uma pena que numa sala de 297 lugares apenas 6 estavam ocupados e que nesse País, quando um filme não tem rostos globais e toda a mídia que essa máquina sinistra de ilusões, chamada Rede Globo, constroi, esse filme está fadado a passar despercebido nas telas brasileiras. Eu me sinto feliz por ter ido ao cinema observar com mais atenção ao BESOURO. Valeu!

domingo, 1 de novembro de 2009

Alô, Alô Terezinha!




Ontem, assisti ao documentário Alô, Alô Terezinha, do Nelson Hoineff, sobre o Chacrinha. É interessante, mas quem não conheceu o Chacrinha vai continuar sem conhecer. O documentário se limita a mostrar imagens do Chacrinha em vários anos de TV. No entanto, nada, absolutamente nada, é falado sobre as origens desse apresentador de TV, nem sobre sua vida pessoal, nem sobre sua história no rádio antes de ir para a televisão.


O forte do documentário são os depoimentos das ex-chacretes, dançarinas de palco na época do programa. Aliás, são tão bons esses depoimentos que será feita uma série televisiva sobre elas. Também é interessante o encontro de alguns calouros da época. No mais, o documentário serve apenas para aflorar a saudade daqueles tempos em que Chacrinha era um dos grandes apresentadores da televisao brasileira.

domingo, 25 de outubro de 2009

domingo, 18 de outubro de 2009

BASTARDOS INGLÓRIOS!




Ontem assisti ao mais recente filme de Quentin Tarantino, BASTARDOS INGLÓRIOS. Assistir Tarantino é sempre assistir cinema na verdadeira concepção da palavra. Ele domina a técnica e conhece a história do cinema - pelo menos o cinema americano, o mais forte em termos de indústria e produção, e o cinema oriental que marcou gerações ao redor do mundo. Bastardos... não é o melhor filme de Tarantino, mas é um bom Tarantino - é um Tarantino em forma. Meu Deus, como eu gosto de cinema...!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

domingo, 4 de outubro de 2009

Mercedes Sosa silencia...



Mercedes Sosa está morta. O mundo perde uma grande voz. Que ela descanse em paz...!


Pés cansados


Começou a primavera e meus pés estão cansados. Talvez seja o fim de 2009 se aproximando e o esmorecer natural de alguém que caminhou por uma estrada de terra batida e pedras encravadas no caminho, durante todo o ano. Pedras pequenas que em nenhum momento impediram meu prosseguir, ainda bem. Mas pedras são pedras.

Ir a guerra é sempre complicado. Ir a guerra descalço e desarmado é muito pior. Então, na guerra de 2009, o artista na sempre difícil tarefa de manter-se vivo, não teve medo da morte esse ano. Mas ele tomou precauções, porque, como diziam as nossas avós, cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém.


Agora, olhando o colorido das flores e as crianças brincando sob o sol nos parques da cidade, meus pés doloridos marcam o compasso da vida e me fazem sentir amor, apesar da dor, pelo dezembro que espero. É o mesmo dezembro de Natal e Aniversário de pouco mais de três décadas. É o mesmo, mas é diferente. E o soldado está aqui, firme e forte, pés doloridos, mas o olhar ainda cheio de sonhos.

domingo, 27 de setembro de 2009

sábado, 19 de setembro de 2009

Amo ouvir sua voz

Toca o telefone e é a Carol. Atendo sorrindo, porque na vida algumas pessoas nos fazem sorrir. E falo oi e ela fala oi também. E assunto vai e assunto vem. Ela conta do trabalho, ela conta da amiga e do amigo e do filho e do cachorro...! E eu escuto tudo com uma felicidade que só a Carol me traz.


E vai passando o tempo, os minutos, as horas, os dias – e já faz semanas, meses e anos. E eu e a Carol estamos aqui – estamos lá – estamos em vários lugares e em vários momentos. Eu desenho a Carol na minha cabeça e ela diz que sabe como eu sou. Eu tenho a Carol no meu coração e ela me disse que na parede do quarto tem uma foto minha.


E falamos sobre chocolate, bolsa, viagem, açaí e amor. E eu devo conhecer a Carol faz uns 350 anos e a Carol deve me conhecer faz uns 349 anos. E o mundo nos conhece mais que nós a nós mesmos. E eu digo que ela é linda. E ela me diz que sou um fofo. E eu digo que estava com saudades. E ela me diz que também.


E o sol está forte lá fora. E a chuva está forte lá fora. E as estrelas não param de brilhar. E as flores perfumam o meu cabelo. E a lua também está tão linda. E tudo pode ser um sonho. E tudo pode ser real. E eu vejo um mundo lindo pela janela do meu quarto. E eu vejo um quadro feito a bico de pena. E a Carol me pergunta do outro lado da linha se ainda estou aqui.


E vamos construindo nossos sonhos juntos – e vamos enchendo de “E” esse texto curto. E eu gritando mudo para o mundo o quanto gosto de você, Carol. E nós tocando um piano juntos, e nós contentes acariciando o rosto um do outro agora, e nós cuidando um do outro sempre. E toca o telefone e é a Carol de novo. E toca o telefone e é a Carol de novo. E toca o telefone e é a Carol de novo...!

domingo, 13 de setembro de 2009

Jairo - luta e Paris...


Tenho um amigo na Irlanda. Ele é jornalista e desde o começo do ano está por aquelas terras distantes vendendo jornal nos farois. Sim, ele é um jornalista que nesse momento trabalha de jornaleiro. As dificuldades são muitas. Entre elas a saudade de casa, da família e dos amigos - mas também a incerteza de estar vivo - de ter o que comer e onde morar no dia seguinte. Mas ele vai vivendo e já se deu o "luxo" de, mesmo em momentos difíceis, conhecer além da Irlanda, a Inglaterra e, nos últimos dias, a França. A foto acima foi ele quem tirou. Jairo Lavia, o mundo é um moinho, como diria Cartola, mas você está lutando e vai vencer. Um abraço, meu amigo.

domingo, 6 de setembro de 2009

Romântico...

Essa música ROMÂNTICOS, do Vander Lee, tem a minha cara...!

http://www.youtube.com/watch?v=qhSrmV-YDO8



domingo, 30 de agosto de 2009

Dylan...!


Bob Dylan simplesmente




Ontem terminei de assistir ao filme No Direction Home Bob Dylan, um filme do Martin Scorsese contando a vida do Bob Dylan, de 1961 a 1966. Talvez o período mais produtivo da vida do compositor e cantor americano de música Folk. Gostei.
É interessante como Dylan sempre foi um pensador tão somente. O fato de fazerem dele o símbolo de uma geração – símbolo da música de protesto – foi algo que ele mesmo nunca buscou e se, em algum momento, vestiu a carapuça – foi simplesmente para conseguir marketing em cima de suas letras e músicas e, assim, mais destaque sobre seu trabalho.
O fato é que Dylan é um gênio com todas as virtudes e os defeitos que ser um gênio aflora.

domingo, 23 de agosto de 2009

Para se pensar...




Ontem assisti ao filme O Mistério da Libélula. É um filme de 2002. Nele um médico perde a esposa em um acidente. Então, o médico não a esquece e começa a ouvir vozes, perceber coisas a sua volta se mexendo sozinhas etc. O ator principal é o Kevin Costner. É um filme interessante do ponto de vista entretenimento. Mas também nos faz pensar um pouco sobre o desconhecido – coisa que adoro.

domingo, 16 de agosto de 2009

Massagista de modelos





Acho fantástico esse comercial, porque mostra o quanto é "difícil" a vida de um trabalhador brasileiro e, principalmente, como ninguém está satisfeito com seu emprego...! (rsrsrsrs)

Escrever ou não escrever, eis a questão


Esta semana me questionaram novamente sobre meu livro, Doce Desespero. É vergonhoso dizer que ainda não acabei esse livro. São 12 anos matutando a mesma ideia e, no entanto, escrevendo cinco páginas por ano. Isso é ilógico. Eu não sei o que passa em minha cabeça para criar justificativas descabidas para minha total apatia literária.


No final do ano terei férias e por razões pessoais talvez fique no Brasil mesmo e no Estado de São Paulo, especificamente. Serão 30 dias que poderia eu escrever bastante, não? Não que eu tenha obrigação de passar 30 dias na frente de um computador escrevendo. Mas, estou ansioso para saber como me comportarei nessas próximas férias em relação ao meu livro.


O plano primordial de minha vida esse ano era terminar o livro e conseguir lançá-lo em 2010. Até o momento meu plano vai mal – muito mal. Tenho consciência disso, mas consciência não basta e vergonha na cara não me faria nada mal. Sabe, acho que é mais fácil dizer que sou escritor sem publicar nada que aceitar as críticas depois da primeira obra lançada.


Estou pegando pesado comigo mesmo, pois sei que pegaria pesado assim se estivesse avaliando o trabalho de outra pessoa. Já passou a hora do vagão virar locomotiva e o que fiz até o momento? Não passo de um trenzinho de brinquedo. Minha literatura está sem sal e nem açúcar e minhas atitudes estão grotescas. E para terminar me pergunto: vou ficar aqui reclamando ou fazer alguma coisa???

domingo, 9 de agosto de 2009

Três Homens em Conflto (III)


TRÊS HOMENS EM CONFLITO é um dos maiores filmes de todos os tempos. Vejam o que é cinema em três partes. Aqui vai a terceira:

Três Homens em Conflito (II)


TRÊS HOMENS EM CONFLITO é um dos maiores filmes de todos os tempos. Vejam o que é cinema em três partes. Aqui vai a segunda:

Três Homens em Conflito (I)


TRÊS HOMENS EM CONFLITO é um dos maiores filmes de todos os tempos. Vejam o que é cinema em três partes. Aqui vai a primeira:

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

domingo, 2 de agosto de 2009

Ney Matogrosso - Poema


Uma grande voz da MPB. Artista como poucos, Ney Matogrosso caminha junto ao tempo construindo sua história músical. Entre os cantores que mais gosto ele tem que estar.


A farsa da vida




Se eu parar e olhar por onde andei penso até ser certa a constatação que estou vivo. Embora minha convicção seja redundantemente certa, será que estou realmente vivo? Eu olho para os lados e vejo pessoas respirarem, andarem e falarem. Estas pessoas parecem todas vivas. Parecem.


Os valores da vida, hoje em dia, nos causam dúvidas. Estou falando daquela velha peleja do verbo ser com o verbo ter. Tudo está muito mudado. O poeta das palavras virou o poeta das letras. A minha conta bancária é mais importante que a sombra de uma árvore numa tarde quente de verão.


Quando alguém começar a ler esse texto pensará que estou falando de mim mais uma vez. E não estou? Talvez sim. Mas você já se perguntou se está vivo hoje? Claro, sei que respira, anda e blá, blá, blá – mas não é disso que falo. Você está vivo de verdade ou só parece? Parecer é moleza, viver é que são elas.


Você sabe as duas únicas coisas que me fazem viver? A primeira delas é o amor e confesso que não amo e, ou sou amado faz muito tempo. A segunda é a arte e negligencio minha própria arte diariamente. Portanto, viver eu sei o que é. Talvez eu tenha vivido em alguns momentos. E quem sabe voltarei a viver qualquer dia desses. Mas e você que se acha tão dono da razão?

domingo, 26 de julho de 2009

Um pouco de Cuba...



Cuba, me espere...!




Minha vontade era de ir para Cuba no final do ano. Passar o Réveillon por lá. Mas, ao mesmo tempo, tenho outras prioridades com meu dinheiro. Fico chateado porque gostaria muito de conhecer Cuba antes de Fidel Castro morrer. Creio que, assim que o ditador cubano fechar os olhos, a ilha será bem diferente do que é hoje. Portanto, gostaria de conhecê-la assim – antiga, decadente, parada no tempo – uma ilha do mundo.


Mas, dizem que tudo na vida tem seu tempo. Nunca fui ansioso e sei respeitar as particularidades do tempo. Enquanto esse meu tempo não chega vou estudando espanhol: hablando palabras con sonido y construindo mis sueños. Será que escrevi corretamente em espanhol...?! Na verdade, me considero um latino-americano e não apenas um brasileiro – não que me fosse demérito sê-lo tão somente.


As músicas que escuto, os filmes que vejo, os livros que leio e tudo que relato sobre mim e meu mundo, com palavras abstratas escritas em páginas brancas de um computador, dizem um pouco do que sou e do que sonho. Cuba talvez seja meu futuro. Não sei. O próprio futuro dirá. Só peço a ele um favor, se possível: Cuba, me espere...!

domingo, 19 de julho de 2009

Rachel Yamagata - Ode To...




Há cantores que cantam sem alma. Há outros que colocam a alma na voz de tal forma que ele e a música se tornam um só. Rachel Yamagata não é somente uma cantora. Com sua alma na voz, ela é a própria música:






Entrevistar é uma arte?




Se entrevistar é uma arte, não sei...! Mas, já conheci entrevistadores e entrevistadores – se me entende, caro leitor amigo. A faceta mais fácil e rápida de um entrevistador é ser condescendente com o que o entrevistado fala. Apresentadores de auditório fazem muito isso. Eles perguntam o que o entrevistado quer responder. E concordam com o que o entrevistado responde. E admiram sua resposta. E elogiam. E sorriem. E só faltam bater palmas. Às vezes, nem isso eles faltam fazer.


Há quem diga que esta é uma postura errada de quem entrevista. Eu não apoio e nem condeno quem entrevista assim. Acredito que cada entrevistador deva ter seus objetivos. Se seus métodos levam a eles, então a entrevista foi boa. Se os resultados de seus métodos não agradam o próprio entrevistador, então a entrevista foi ruim. Assim, de uma forma simplista. Este é meu raciocínio prático quanto à qualidade de uma entrevista.


Minha primeira entrevista foi ainda na faculdade, quando fui até a casa de um músico chamado Nenê. Ele foi o baixista de uma banda brasileira que fez muito sucesso nos anos 1960/70, chamada Os Incríveis. A banda estourou nacionalmente a partir do movimento musical Jovem Guarda. Aliás, minha entrevista era sobre a Jovem Guarda. Eu não me portei mal, embora ache que faria um pouco diferente se a entrevista fosse hoje. Faria diferente sim...!


Lembro agora de outra entrevista que fiz e achei determinante para formar meu estilo de entrevistar. Fui, ainda cursando a faculdade, à TV Bandeirantes entrevistar o diretor de TV, Wilton Franco, na época diretor de um programa chamado Brasil Verdade. Em determinado momento ele colocou em dúvida o significado de uma palavra que usei durante a entrevista e se aborreceu comigo ou, pelo menos, com a forma que me expressei em relação ao programa que ele dirigia. Chamei-o de popularesco.


Outra entrevista marcante, nesse começo de carreira, foi com o diretor de cinema Anselmo Duarte, que até hoje detém o maior prêmio já ganho pelo cinema brasileiro, a Palma de Ouro em Cannes, em 1962, com o filme O Pagador de Promessas. Lembro-me que ao final da entrevista, feita em seu apartamento na cidade de Salto, interior de São Paulo, ele convidou a mim e a um amigo, que se passava como meu fotógrafo na ocasião, para comermos um macarrão com ele, visto que já era hora da janta. Recusamos, mas este convite também me ficou na memória.


Por último, ainda recordando do tempo que eu entrevistava tendo como veículo o próprio jornal da faculdade, lembro do executivo de TV, Ivan Isola. Este ficou tão nervoso com uma colocação que fiz durante a entrevista que chegou a esmurrar a mesa. Eu, incrédulo com aquela atitude, lhe pedi calma e o adverti sobre o perigo daquele nervosismo para o seu coração. Até hoje não sei o que meu entrevistado achou de tal comentário, mas o fato foi que ele acalmou-se.


Ao longo da carreira, entrevistei políticos, médicos, artistas, economistas, esportistas, empresários, comerciantes e uma infinidade de gente com maior ou menor notoriedade. Minha maior estratégia sempre foi deixar o entrevistado tranquilo. Eu sempre deixei claro que estou ali para conversar com ele. Porque sempre foi isso que fui bom em fazer: contar e ouvir histórias. Talvez este seja meu maior Dom. Eu converso com o entrevistado, converso, converso e converso. Ao final, ele foi entrevistado.


Só tem um detalhe que não abro mão na conversa que tenho com meu entrevistado. Ele fala muito mais que eu – afinal ele é o entrevistado. Mas o domínio da situação eu não abro mão. Eu o levo para onde eu quero na entrevista. Eu vou e volto nos assuntos quantas vezes achar necessário, não tenho pressa, tenho objetivos. Eu não sou inimigo do entrevistado. Enquanto estou na sua frente sou o melhor amigo dele de todos os tempos. Eu quero que ele confie em mim e me dê uma boa entrevista, somente isso. Eu o ajudo a me ajudar. E jamais subestimo sua inteligência – jamais superestimo também. Afinal, estamos apenas conversando.


Ontem assisti ao filme “O Desafio – Frost contra Nixon”. O filme é sobre a entrevista de um apresentador de TV, sem cacoete jornalístico, David Frost, com o presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, depois de deixar a presidência por causa do escândalo político Watergate, em 1972. É uma entrevista exclusiva e sem precedentes de importância feita por alguém que não estava preparado para fazê-la, mas que se prepara durante a própria entrevista – visto que ela foi gravada em diferentes datas. Ao assistir este filme me atentei para algo que já percebi no tempo da faculdade, mas pouco falo a respeito: eu amo entrevistar e penso que entrevistar é, sim, uma arte.

domingo, 12 de julho de 2009

São Paulo 2x2 Flamengo




Acabo de voltar do estádio do Morumbi. Fui assistir ao jogo do São Paulo com o Flamengo. Nossa, fazia uns 12 anos que eu não ia a um estádio. Meu tricolor empatou em 2x2. O problema é que jogou muito mal, principalmente no primeiro tempo. Deu raiva. Mas foi gostoso ir a um estádio depois de tanto tempo. Foi muito bom!


Obs: a foto, obviamente, não é do estádio e sim de São Thomé das Letras, onde fui quinta-feira.


Norah Jones - Somewhere over the rainbow

Ela é linda, talentosa, e canta como ninguém...!



http://www.youtube.com/watch?v=Mu5QPVD427o

domingo, 5 de julho de 2009

O mundo é um moinho...!



http://www.youtube.com/watch?v=acLkgRX28D8

Essa música é muito linda e esse momento da vida de Cartola é triste demais. Me lembra um blues...!


Amigos, até outro dia




Não quero cair no lugar comum. Não quero escrever frases já feitas. Não quero repetir calendários antigos. Querer eu não quero, mas algo tem de ser feito. Olho para meus dedos com suas pontas vermelhas e inchadas. Olho para os meus sonhos cansados e sonolentos. Olho para os meus amores já velhos e distantes. E sabem de uma coisa? Olhar eu nem queria, mas algo tem de ser feito.


Ontem à tarde, colhi umas flores aqui no jardim de casa e me sujei todo de terra. Hoje eu olhei para o céu e vi uma cor que eu não deveria ver. Amanhã quero jogar futebol de botão como antigamente e comer uma paçoca depois do almoço. E vocês nem sabem. Eu nem gosto de contar os dias, mas algo tem de ser feito.


Minha namorada está grávida, mas o filho não é meu. Minha namorada vai casar, mas não é comigo. Minha namorada mudou-se para Paris e eu nunca fui passear na Europa. É tudo tão recente em meu passado. É tudo tão velho eu meu presente. Estou pensando em escrever um livro sobre tudo isso. Eu nem me considero escritor, mas algo tem de ser feito.


Quando eu levanto da cama me sinto surpreso por ainda estar vivo. Quando eu ando pelas estradas vejo um cadillac vermelho me seguindo. Quando eu me olho no espelho vejo um ator canastrão diante de mim. E minha dor é um palco. E minha vida é um palco. E meu mundo é um palco. Vou lhes dizer, embora não acreditem, eu não sou um ator, mas algo tem de ser feito.


Todos os quadros e diplomas pendurados nas paredes do escritório estão tortos. Todas as ruas e avenidas em que caminho estão, precisamente, tortas. Todas as minhas ideias, meus planos, e meus nós de gravata, que me enforcam pelas manhãs de verão, estão tortos. E eu não sou rebelde com causa ou sem, mas algo tem de ser feito.


Fui beber água no rio e ele secou. Fui arrancar os espinhos da rosa e eles furaram meu coração. Fui construir um lugar seguro na areia da praia e me perdi no vento. Eu não sou Edgar Allan Poe! Eu não sou Maria, a louca! Eu não sou Robert Alexander Schumann! E se eu soubesse quem sou talvez não estivesse aqui bêbado de ilusão e incertezas, mas algo tem de ser feito.


Semana que vem estou indo embora. Mês que vem vou embora de novo. Ano que vem vou embora outra vez. Não, não perguntem de mim. As minhas cartas guardadas na gaveta contarão notícias. As minhas canetas largadas pela casa contarão notícias. As folhas de papel amassadas no cesto do lixo contarão notícias. Eu nem deveria dizer nada. Eu nem deveria falar sozinho. Eu nem deveria adoçar minhas lágrimas, mas algo tem de ser feito.

domingo, 28 de junho de 2009

Joe Cocker - With A Little Help From My Friends


Essa música é para aqueles que viveram ou sonharam viver nos encantadores anos 1960.

http://www.youtube.com/watch?v=_wG6Cgmgn5U



Amor X Sexo




Estou pensando sobre essa mania das pessoas de ‘ficarem’ umas com as outras sem nenhum compromisso. Aqueles relacionamentos moderninhos. Acho que isso surgiu no começo dos anos 1990, primeiro entre os adolescentes, e, hoje, já está disseminado entre as pessoas, de uma forma geral, principalmente os jovens.


Antes se pensava que dar uns beijos, mesmo que mal se conhecesse a pessoa, não teria problema algum. Afinal, que mal teria beijar alguém? Beijar e tão gostoso. Se deu vontade, beija e pronto. Se os dois gostarem do beijo pode haver repetição. Se os dois não tiverem interesse, ficará só naquela vez mesmo e fim.


Eu demorei para me adaptar a essa nova realidade dos relacionamentos. Durante muito tempo achei idiota ficar. Chegou uma hora que passei a encarar isso com naturalidade. Continuo acreditando no amor e prefiro mil vezes namorar alguém. Mas, se numa festa surge a oportunidade de eu apenas ficar – não me furto desse desejo.


Atualmente entro nos shoppings e me assusto com a baixa idade dos casais. Uns devem ter 11 ou 12 anos no máximo. Eles se abraçam e se beijam de tal forma que deixam pessoas mais velhas totalmente constrangidas. Essa sexualidade precoce e que também é chamada, por alguns, como ‘amor precoce’, me preocupa, embora eu não queira ser puritano. Creio que cada um sabe sobre seu coração e sobre seus desejos.


Agora, se namorar está fora de moda e se na própria TV o casamento já é mostrado como um conto de fadas que normalmente ocorre somente no último capítulo da novela, como deve ficar o amor e o sexo na cabeça das novas gerações de agora em diante? O amor e o sexo virarão contrapontos e se desligarão os significados de uma palavra para a outra, para sempre, ou estamos vivendo apenas uma fase?

domingo, 21 de junho de 2009

Distante demais




Eu, sentado, esperando um sorriso de brincar
Eu, sentado, cheirando agosto perfumar meu norte
Eu, sentado, olhando pela curva perdida ao sol

Distante demais

Eu, sentado, fazendo bugigangas de argila
Eu, sentado, escrevendo na terra minha idade
Eu, sentado, dizendo baixinho nome de mulher

Distante demais

Eu, sentado, ouvindo no vento canção de ninar
Eu, sentado, traçando torto um caminho reto
Eu, sentado, mastigando gengibre torrado

Distante demais

Eu, sentado, aliança apertada no dedo
Eu, sentado, corda amarrada no pescoço
Eu, sentado, cabeça pesada na bandeja

Distante demais

Eu, sentado, loucura saindo da razão
Eu, sentado, dor em gotas caindo da alma
Eu, sentado, sorte dormindo muito longe


domingo, 14 de junho de 2009

My Way - Frank Sinatra


Essa música tem um brilho - um cheiro de vida e morte - que me consome e que me renasce. Na voz de Sinatra ficou imortalizada e nos meus pensamentos sempre a relembro como combustível para que eu (essa máquina chamada HOMEM) sempre seja eu mesmo, com a alegria e a tristeza que isso representa - mas com o orgulho que isso me traz.


http://www.youtube.com/watch?v=-vNFbSVlS2I



sábado, 13 de junho de 2009

Amor de domingo (III)




Tivemos que ir em carros separados para o restaurante japonês. O bairro era distante do Parque do Ibirapuera e depois não compensaria, para mim ou para ela, ter que buscar o carro no parque. Então, parávamos os carros nos faróis, sempre lado a lado, falávamos pelo vidro, ouvíamos o que o outro estava escutando no som do carro, dávamos risadas, e assim fomos durante todo o trajeto.

- Até que foi rápido.
- Verdade, Dani. Não havia trânsito.

Entramos no restaurante e começamos, novamente, a falar sem parar. A Daniela parecia uma mulher saída de um dos meus sonhos de mulher ideal para estar ao meu lado. Tudo nela me encantava. Na verdade, aquele momento parecia um sonho e daqueles sonhos muito bons que a gente se frustra quando acorda. Por isso que eu pensava que se estivesse sonhando queria jamais acordar.

- Nossa, o sushi daqui é muito bom!
- Também acho, Dani. E o ambiente também é legal. Sou um freguês assíduo do lugar.
- Você vai pedir sobremesa?
- Não quero, mas eu chamo o garçom e ele nos traz o cardápio e você escolhe uma.
- Não, eu também não quero. Pensei em a gente ir embora – só por isso que perguntei se você ia querer sobremesa.
- Ah, você quer ir embora?
- Quero.
- Tudo bem. Pedirei a conta.

Aquilo me soou aos ouvidos como um balde de água fria na cara. Não, no rosto não. Na cara mesmo! Fiquei preocupado com a repentina vontade dela em ir embora. Pensei se havia falado algo ruim que a tivesse incomodado. Mas, antes que minhocas brotassem da minha cabeça como brotam da terra, a Daniela me surpreendeu mais uma vez.

- Eu só estou com pressa para que peguemos um cinema. Se você estiver a fim, é claro.

Eu não acreditei. Ela perguntava se eu estaria a fim. Será que ela não percebia que eu iria com ela até para o infinito?! Então, fiz um charme.

- Ir para o cinema com você?! Deixa-me pensar...! Sim, mas é claro que vou! Vou adorar!

E caímos os dois na risada. Minutos depois saímos do restaurante e fomos assistir ao filme Che, uma espécie de documentário sobre a revolução cubana, tendo como protagonista o ator Benicio Del Toro como Che Guevara. O filme foi muito bom e a companhia foi maravilhosa.

- Gostou do filme, Dani?
- Amei!
- Eu também.

Perto do cinema ainda tomamos um chocolate quente, cada um, e demos risadas relembrando as formigas do parque e a forma que nos conhecemos. Na hora de nos despedirmos – já com os respectivos telefones e e-mails trocados – tive muita vontade de beijá-la na boca, mas não tive coragem. Me arrependo até hoje por essa falta de coragem. Nunca mais vi a Daniela. Ela me disse, por telefone, dias atrás, que resolveu dar uma chance para um rapaz que conheceu no Rio de Janeiro e que, agora, está namorando. Portanto, o amor foi só meu e se restringiu a apenas um domingo. Nada mais que um domingo.

domingo, 7 de junho de 2009

Como nossos pais - BELCHIOR ao vivo

Belchior é um dos grandes compositores da MPB. Um gênio com a inteligência e a emoção de suas letras. Por isso, quero deixar aqui um espaço para ele em meu blog. Como Nossos Pais, ao vivo:

http://www.youtube.com/watch?v=s6eXcFUbDy8